Uber anuncia corte de 3,3 mil empregos em maior demissão desde a pandemia
Empresa afirma que reestruturação busca simplificar a gestão e preparar o negócio para o avanço dos veículos autônomos
A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) a demissão de aproximadamente 3,3 mil funcionários em todo o mundo. O número representa cerca de 10% do quadro de empregados da empresa e corresponde ao maior corte de pessoal realizado pela companhia desde o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Segundo o presidente-executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, a decisão faz parte de uma ampla reorganização interna. A empresa pretende reduzir níveis hierárquicos, concentrar equipes e tornar o processo de tomada de decisões mais rápido.
A companhia afirma que a redução do quadro não foi motivada diretamente pelo avanço da inteligência artificial. A tecnologia, porém, aparece em meio a uma transformação mais ampla do setor de transporte e entrega, que também envolve o crescimento dos veículos autônomos.
A Uber informou que a nova estrutura deverá gerar economia para a companhia. Parte dos recursos, segundo a direção, será direcionada para áreas consideradas estratégicas, incluindo inovação e desenvolvimento de novas competências.
Pressão dos veículos autônomos
Um dos principais desafios enfrentados pela Uber está relacionado ao crescimento dos robotáxis, veículos capazes de realizar viagens sem a presença de um motorista humano.
A empresa vem ampliando sua atuação nesse segmento e pretende investir mais de US$ 10 bilhões nos próximos anos para participar do mercado de transporte autônomo. A estratégia inclui parcerias com empresas responsáveis pelo desenvolvimento das tecnologias de direção sem motorista.
A expansão da Waymo, uma das principais empresas do setor nos Estados Unidos, também aumenta a pressão sobre a Uber. A companhia de veículos autônomos já opera em cidades americanas e mantém integração com o aplicativo da Uber em alguns mercados.
Outras empresas, como a Tesla, também avançam no desenvolvimento de robotáxis, aumentando a competição por um mercado que pode transformar profundamente o transporte individual nos próximos anos.
Mudanças na estrutura interna
Além das demissões, a Uber anunciou alterações na organização de suas equipes. A empresa pretende reduzir em 20% a quantidade de funcionários que estão a sete ou mais níveis hierárquicos abaixo do presidente-executivo.
Também está prevista uma redução significativa no número de equipes formadas por apenas um ou dois subordinados diretos.
A companhia ainda deverá concentrar funcionários em determinados centros estratégicos e restringir o trabalho totalmente remoto. A estimativa é que apenas cerca de 1% dos empregados permaneça em funções completamente remotas, enquanto a política de trabalho presencial de três dias por semana deverá ser mantida.
Maior corte desde 2020
O anúncio representa a maior rodada de demissões da Uber desde maio de 2020. Naquele período, a queda na demanda provocada pela pandemia levou a empresa a eliminar aproximadamente 6,7 mil postos de trabalho, equivalente a quase um quarto de sua força de trabalho naquele momento.
No fim do ano passado, a Uber possuía aproximadamente 34 mil funcionários em todo o mundo.
A companhia também enfrenta um cenário de maior competição em seus negócios. No segmento de entregas, empresas como DoorDash e Instacart ampliaram a disputa pelo mercado, enquanto a Uber busca ganhar escala por meio de investimentos e aquisições.
A reestruturação ocorre ainda em um momento de pressão sobre as ações da empresa. No acumulado do ano, os papéis da Uber registravam queda próxima de 8%, desempenho inferior ao do índice S&P 500 e ao da concorrente Lyft.
A direção da companhia, entretanto, aposta que uma estrutura mais enxuta e investimentos em novas tecnologias poderão fortalecer a Uber diante das mudanças que devem marcar o futuro do transporte.
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