Boi gordo supera R$ 380 e bate recorde na B3 mesmo com nova tarifa da China
Mercado aponta oferta restrita de animais e demanda aquecida no fim do ano, enquanto exportadores enfrentam novas regras para vender carne bovina à China
O preço do boi gordo segue em alta no Brasil e renovou máximas históricas no mercado futuro. O contrato com vencimento em outubro fechou a terça-feira (29) cotado a R$ 382,60 por arroba na B3, valor 6% superior aos R$ 361,10 registrados no contrato de setembro.
Os contratos para os meses seguintes também operam acima dos R$ 390 por arroba, em um cenário de oferta mais limitada de animais e demanda firme tanto no mercado interno quanto nas exportações.
A valorização ocorre justamente no momento em que a China começa a aplicar uma nova tarifa sobre parte da carne bovina brasileira que ultrapassar a cota de importação. A medida aumenta a pressão sobre os exportadores, mas não impediu, até o momento, a sustentação dos preços do gado no mercado brasileiro.
No mercado físico, o indicador Cepea encerrou setembro em R$ 363,05 por arroba em São Paulo, cerca de R$ 2 acima da cotação do mercado futuro para setembro. Segundo a análise citada pela CNN Brasil, houve ainda negócios pontuais acima desse valor.
Oferta menor sustenta valorização
Um dos principais fatores por trás da alta é a menor disponibilidade de animais para abate. Segundo o especialista em mercado pecuário Hyberville Neto, pesquisas apontam uma redução superior a 20% no número de bovinos confinados em setembro, na comparação com o mesmo período de 2025.
A oferta mais restrita ocorre ao mesmo tempo em que a demanda tende a ganhar força nos últimos meses do ano, período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo de carne com o pagamento do 13º salário.
Além disso, a menor quantidade de fêmeas destinadas ao abate e o atraso na entrega de animais provenientes de pastagens também contribuem para reduzir a oferta disponível.
China continua no centro do mercado
A China permanece como um dos principais destinos da carne bovina brasileira, e a expectativa de exportações firmes ajuda a sustentar as cotações.
Ao mesmo tempo, a nova política chinesa estabelece uma cota para as importações e uma tarifa adicional para o volume que ultrapassar o limite. A mudança pode alterar a dinâmica das exportações brasileiras, mas o mercado doméstico também exerce pressão sobre os preços.
Para os próximos meses, a combinação entre menor oferta de gado, demanda interna de fim de ano e exportações mantém o mercado atento à possibilidade de novas altas.
Segundo a avaliação apresentada pela CNN Brasil, caso essas condições permaneçam, o preço da arroba poderá registrar novos recordes tanto no mercado futuro quanto no mercado físico.
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