Jovem de comunidade quilombola de Simolândia-GO é a primeira do Brasil aprovada em concurso para diplomata

Jovem de comunidade quilombola de Simolândia-GO é a primeira do Brasil aprovada em concurso para diplomata

Helen Jaine Gomes Borgens estudou em escola pública no Nordeste Goiano, formou-se pela Universidade Federal de Goiás e conquistou vaga com salário inicial de R$ 22,5 mil.

A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no Nordeste de Goiás, conquistou um feito histórico ao se tornar a primeira pessoa quilombola aprovada por meio de vaga reservada no Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD), do Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty.

A aprovação ocorreu em maio deste ano e foi confirmada em edital publicado em junho. O caso ganhou destaque nesta quarta-feira (14). Conforme o edital, o salário inicial da carreira é de aproximadamente R$ 22,5 mil.

Nascida em Goiânia, Helen cresceu ligada à comunidade quilombola do Retiro e estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto, em Simolândia. Posteriormente, ingressou no curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde concluiu a graduação em 2025.

A trajetória até a aprovação foi marcada por desafios. Durante a faculdade, a jovem chegou a pensar em abandonar o curso, mas foi incentivada pela mãe a continuar.

O interesse pela diplomacia foi retomado após uma disciplina de Política Externa Brasileira.

Depois de concluir a graduação, Helen voltou para Simolândia, onde se dedicou à preparação para o concurso. Por morar no interior, enfrentou dificuldades para encontrar cursos especializados e precisou estudar inglês e outras disciplinas por conta própria.

O esforço resultou na aprovação para a única vaga reservada a candidatos quilombolas na seleção.

Sonho de se tornar embaixadora

Em declaração divulgada pela UFG, Helen afirmou sentir orgulho da conquista e destacou a importância de representar a população quilombola na diplomacia brasileira.

A jovem também revelou que pretende continuar crescendo profissionalmente e sonha em alcançar o posto de embaixadora, um dos mais altos da carreira diplomática.

O concurso é considerado um dos mais difíceis do país e exige conhecimentos em áreas como História, Economia, Direito, Política Internacional e idiomas.

Com a aprovação, Helen deverá passar pelo curso de formação do Instituto Rio Branco, responsável pela preparação dos futuros diplomatas brasileiros.

A seleção de 2026 foi a primeira realizada sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, que estabelece a reserva de vagas para pessoas pretas, pardas, indígenas e quilombolas em concursos públicos federais.

A conquista de Helen representa um marco para a comunidade quilombola do Retiro, para o município de Simolândia e para todo o Nordeste Goiano.


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