


Primeira quilombola aprovada para ser diplomata toma posse e comemora conquista histórica; jovem é de Simolândia-GO
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, conquistou uma vaga inédita no Itamaraty e compartilhou nas redes sociais a emoção de realizar o sonho de se tornar diplomata.
A jovem Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no nordeste de Goiás, comemorou um momento histórico em sua vida profissional. Ela tomou posse como diplomata do Ministério das Relações Exteriores, tornando-se a primeira pessoa aprovada em uma vaga reservada a quilombolas na carreira diplomática brasileira.
A cerimônia aconteceu na quarta-feira (4), no Palácio Itamaraty, em Brasília. Nas redes sociais, Helen compartilhou fotografias e um vídeo do momento em que assinou o documento de posse. Na publicação, celebrou a conquista com uma frase curta: “Grande dia!”
Nascida em Goiânia e criada em Simolândia, Helen é formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Após concluir a graduação, em 2025, retornou ao município do nordeste goiano para se dedicar à preparação para o concurso.
A trajetória até a aprovação foi marcada por desafios. Por morar no interior, a jovem enfrentou dificuldades para encontrar professores especializados e cursos preparatórios voltados à carreira diplomática. Mesmo assim, manteve uma rotina de estudos e aprofundou os conhecimentos necessários para enfrentar uma das seleções mais concorridas do país.
O interesse pela diplomacia surgiu ainda em 2017, durante um curso preparatório para o vestibular, quando um professor apresentou a profissão. Durante a faculdade, Helen chegou a pensar em mudar de curso, mas voltou a se interessar pela carreira após estudar Política Externa Brasileira.
Posse histórica
Helen integra uma turma de 60 novos diplomatas que iniciarão a formação no Instituto Rio Branco. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a turma registra a maior participação proporcional de mulheres da história da instituição, com 45% dos aprovados.
Entre os novos integrantes estão 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas pessoas indígenas e uma pessoa quilombola.
O concurso foi o primeiro da carreira diplomática realizado sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, que prevê reserva de vagas para diferentes grupos em concursos públicos federais.
A remuneração inicial da carreira é de aproximadamente R$ 22,5 mil mensais.
Sonho de se tornar embaixadora
Em entrevista anterior à Universidade Federal de Goiás, Helen destacou a importância de representar a comunidade quilombola em um espaço historicamente pouco acessível a esses grupos.
A jovem também revelou que sonha em alcançar o posto de embaixadora, uma das posições mais importantes da diplomacia brasileira.
A conquista representa um marco não apenas para Helen e sua família, mas também para a comunidade quilombola do Retiro, para Simolândia e para todo o nordeste goiano.
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