Vorcaro afirma ter destinado R$ 30 milhões a filme sobre Lula em troca de negócios, diz revista Veja

Vorcaro afirma ter destinado R$ 30 milhões a filme sobre Lula em troca de negócios, diz revista Veja

Relato atribuído ao dono do Banco Master envolve supostas negociações com integrantes do PT e investimentos de fundos de pensão; acusações não foram comprovadas, e Lula nega ter recebido vantagens.

O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou ter destinado R$ 30 milhões ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo reportagem da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (9), o pagamento teria sido negociado no contexto de tratativas para facilitar negócios envolvendo recursos de fundos de pensão de empresas estatais.

As informações teriam sido extraídas de áudios e documentos apresentados por Vorcaro durante tentativas de firmar um acordo de colaboração com as autoridades. De acordo com a publicação, o empresário atribuiu a integrantes do PT a articulação dos pagamentos e mencionou uma suposta comissão de 10% sobre recursos que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos como Previ, Petros e Postalis.

Negociações e fundos de pensão

Segundo a versão apresentada por Vorcaro, as tratativas teriam ocorrido por intermédio de Augusto Lima, então sócio do banqueiro, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. O dinheiro, conforme o relato, seria destinado ao Instituto Lula para custear um documentário sobre o presidente.

A reportagem também menciona supostas articulações envolvendo pessoas ligadas ao ministro Alexandre Padilha e a tentativa de viabilizar investimentos de fundos de previdência no Banco Master.

Apesar de a instituição ter sido incluída, em abril de 2024, na lista de entidades autorizadas a receber investimentos desses fundos, Vorcaro afirmou que não conseguiu concretizar as operações pretendidas com os principais fundos federais.

Lula nega acusações

Procurado pela revista, Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira de Vorcaro e afirmou que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. Alexandre Padilha e Olavo Noleto, também citados na reportagem, negaram as alegações atribuídas ao banqueiro.

A publicação informou ainda que a Procuradoria-Geral da República não deu andamento a um dos relatos apresentados durante as tentativas de colaboração, por considerar insuficientes as provas disponíveis.

A reportagem também apontou mensagens que sugeririam tentativas de organizar um encontro entre Lula e Vorcaro em outubro de 2024, mas não encontrou comprovação de que a reunião tenha ocorrido. O encontro confirmado no Palácio do Planalto foi com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, em dezembro daquele ano.

Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que Lula tenha recebido os valores mencionados ou participado do suposto esquema. As acusações permanecem atribuídas ao relato do banqueiro.


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